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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

The greatest triumph of man...





The greatest triumph of man...




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Il più grande trionfo dell'uomo...




  O Maior triunfo do Homem  


O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. 
Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar. 
Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade - o ridículo, o trabalho e a dedicação. 
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. 
Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se - submeter-se à acção da coisa sentida. 
Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman olímpico, Proteu da compreensão, sem partilhar de vivê-las realmente. 
Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque não embarca nem fica. 
Esteve com todos em todas as sensações de todas as horas da sua vida. 
Assistiu, olhando pelos olhos e pelos corações dos protagonistas, a todas as tragédias da terra. 
Com os que renunciaram renunciou. Caiu em todas as batalhas, ficando vencedor de elas. 
Venceu a sua alegria e a sua dor vencendo toda a alegria e toda a dor do mundo. 
Ele lembra-se da sua própria voz ter gritado, de entre o povo judeu que se aglomerara: «Nós queremos antes Barrabás». E no momento em que pensou como o tinha sido, o nome de Barrabás lembrava-lhe já que Barrabás era ele, e Cristo também, que o povo não pedira. 
Quando voltou a querer lembrar-se que homem do povo havia sido, viu que tinha sido todos eles. 
Se olhava ligeiramente para cima sentia em sonho na sua fronte de mulher os cabelos negros de Maria. Sentia seios. Como eles desviaram a ideia para o instinto sexual, ele chorou de repente e sabia que era a Madalena. 
Estendia as mãos mas lembrou-se de quando Pilatos as lavara da responsabilidade, e o seu vulto aprumava-se, governador romano, na sonhada toga que lhe roçava de leve a sensação ideal da própria pele. 
Cerrava os olhos, os próprios olhos do sonho, com o cansaço múltiplo d'aquilo tudo, e num último reflexo, antes da apatia, os estandartes do fim d'aquilo tudo, passam, com águias no cimo, num crepúsculo com montes verdes ao fundo. 
O cansaço de tanta sensação dispersa trazia-lhe uma depressão; e a depressão trazia-lhe os sentimentos depressivos - e entre eles, no limite do cansaço, o da piedade mole e chorosa pelos outros - canto de ama, cantando à noite, quando o pobre que não tinha ninguém encontra Nossa Senhora na estrada vestida de pastora, que o leva pela mão para o céu. 
A infância lembrada abriu a porta a Cristo que entra pela sua sensação de todas as lágrimas a chorar. 


Fernando Pessoa
"Inéditos"






























































TITO COLAÇO
I________I________MMXIV















Fight for your happy!!!








 Fight for your happy!!! 



















































Felicidade e Prazer


Devemos estudar os meios de alcançar a felicidade, pois, quando a temos, possuímos tudo e, quando não a temos, fazemos tudo por alcançá-la. 
Respeita, portanto, e aplica os princípios que continuadamente te inculquei, convencendo-te de que eles são os elementos necessários para bem viver. 
Pensa primeiro que o deus é um ser imortal e feliz, como o indica a noção comum de divindade, e não lhe atribuas jamais carácter algum oposto à sua imortalidade e à sua beatitude. 
Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada é, pois o bem e o mal só existem na sensação. De onde se segue que um conhecimento exacto do facto de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal, poupando-nos o acréscimo de uma ideia de duração eterna e a pena da imortalidade. 
Porque não teme a vida quem compreende que não há nada de temível no facto de se não viver mais. 
É, portanto, tolo quem declara ter medo da morte, não porque seja temível quando chega, mas porque é temível esperar por ela. 
É tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que não faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males, a morte, nada significa para nós, pois enquanto vivemos a morte não existe. 
E quando a morte veio, já não existimos nós. A morte não existe, portanto, nem para os vivos nem para os mortos, pois para uns ela não é, e pois os outros não são mais. 
(...) 
Deve, em terceiro lugar, compreender-se que, de entre os desejos, uns são naturais e os outros vãos e que, de entre os naturais, uns são necessários e os outros somente naturais. Finalmente, de entre os desejos necessários, uns são necessários à felicidade, outros à tranquilidade do corpo e outros à própria vida. 
Uma teoria verídica dos desejos ajustará os desejos e a aversão à saúde do corpo e à ataraxia da alma, pois é esse o escopo de uma vida feliz, e todas as nossas acções têm por fim evitar ao mesmo tempo o sofrimento e a inquietação.
Quando o conseguimos, todas as tempestades da alma se desfazem, não tendo já o ser vivo de dirigir-se para alguma coisa que não possui, nem buscar outra coisa que possa completar a felicidade da alma e do corpo. 
Porque nós buscamos o prazer somente quando a sua ausência causa sofrimento. Quando não sofremos, não sabemos que fazer do prazer. 
E por isso dizemos que o prazer é o começo e o fim de uma vida venturosa. O prazer é, na verdade, considerado por nós como o primeiro dos bens naturais, é ele que nos leva a aceitar ou a rejeitar as coisas, a ele vamos parar, tomando a sensibilidade como critério do bem. 
Ora, pois que o prazer é o primeiro dos bens naturais, segue-se que não aceitamos o primeiro prazer que vem, mas em certos casos desdenhamos numerosos prazeres quando têm por efeito um tormento maior. 
Por outro lado, há numerosos sofrimentos que reputamos preferíveis aos prazeres, quando nos trazem um maior prazer. Todo o prazer, na medida em que se conforma com a nossa natureza, é portanto um bem, mas nem todo o prazer é entretanto necessariamente apetecível. 
Do mesmo modo, se toda a dor é um mal, nem toda é necessariamente de evitar. Daqui procede que é por uma sábia consideração das vantagens e dissabores que traz que cada prazer deve ser apreciado. Na verdade, em certos casos, tratamos o bem como um mal e, noutros, o mal como um bem. 
Depender apenas de si mesmo é, em nossa opinião, grande bem, mas não se segue, por isso, que devamos sempre contentar-nos com pouco. 
Simplesmente, quando a abundância nos falece, devemos ser capazes de contentar-nos com pouco, pois estamos persuadidos de que fruem melhor a riqueza aqueles que menos carecem dela e que tudo que é natural se alcança facilmente, enquanto é difícil obter o que o não é. As iguarias mais simples dão tanto prazer como a mesa mais ricamente servida, quando está ausente o tormento que a carência determina, e o pão e a água causam o mais vivo prazer quando os tomamos após longa privação. 
O hábito da vida simples e modesta é portanto boa maneira de cuidar da saúde e torna, além disso, o homem corajoso para suportar as tarefas que deve necessariamente realizar na vida. Permite-lhe ainda, eventualmente, apreciar melhor a vida opulenta e endurece-o contra os reveses da fortuna. Por conseguinte, quando dizemos que o prazer é o soberano bem, não falamos dos prazeres dos debochados, nem dos gozos sensuais, como pretendem alguns ignorantes que nos combatem e desfiguram o nosso pensamento. 
Falamos da ausência de sofrimento físico e da ausência da perturbação moral. 
Porque não são nem as bebidas e os banquetes contínuos, nem o prazer do trato com as mulheres, nem o júbilo que dão o peixe e a carne com que se enchem as mesas sumptuosas que ocasionam uma vida feliz, mas hábitos racionais e sóbrios, uma razão buscando incessantemente causas legítimas de escolha ou de aversão e rejeitando as opiniões susceptíveis de trazerem à alma a maior perturbação. 
O princípio de tudo isto e, ao mesmo tempo, o maior bem é, portanto, a prudência. Devemos reputá-la superior à própria filosofia, pois que ela é a fonte de todas as virtudes que nos ensinam que não se alcança a vida feliz sem a prudência, a honestidade e a justiça e que a prudência, a honestidade e a justiça não podem obter-se sem o prazer. 
As virtudes, efectivamente, provêm de uma vida feliz, a qual, por sua vez, é inseparável das virtudes. 


Epicuro
 "Carta a Meneceu"











     





















TITO COLAÇO

Primeiro de Janeiro de 2014