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sábado, 28 de março de 2015

Myself...











 Myself...














Myself...

























Myself...
















"Porquê o pensamento criou o EU?"




Numa das palestras de Krishnamurti, um dos participantes pergunta:
"Qual a razão para se construir a estrutura chamada do "eu"? 
Porque o pensamento fez isso?




Krishnamurti:


Eis uma questão de extraordinária importância, porque se trata da nossa vida. Precisamos levar isso muito a sério. Porque o pensamento criou o "eu"?
Percebe o facto de que o pensamento construiu o "eu" ou acha que o "eu" é algo Divino, algo que já existia antes de o tempo existir?
É preciso investigar isso também.
Porque o pensamento criou o "eu"?
Porquê?
Eu não sei, vou descobrir.
Porque acha que o pensamento criou o "eu"?
Há duas coisas a serem consideradas. A primeira é que o pensamento requer estabilidade, porque o cérebro só pode ficar satisfeito onde há segurança.
Ou seja, onde há segurança o cérebro opera maravilhosamente, seja de forma neurótica ou racional.
Então, uma das razões é que o pensamento, sendo inseguro, fragmentado, quebrado por natureza, criou o "eu" como algo permanente, o "eu" que se tornou independente do pensamento; e, dessa forma, o pensamento o reconhece como algo permanente. E a permanência é identificada através do apego: a minha casa, o meu carácter, o meu desejo, a minha vontade - tudo isso confere um senso de completa segurança e continuidade ao "eu". Não é assim? Esta é uma das razões.
E há também a ideia de que o "eu" é algo anterior ao pensamento - será mesmo?
Quem pode afirmar que existia antes do pensamento?
Se fizer essa afirmação - como muitos fazem – a sua afirmação estará baseada em que raciocínio, em quais fundamentos?
Será essa afirmação baseada na tradição e na crença?
Ou talvez ela se baseie no desejo de não reconhecer que o "eu" é produto do pensamento, mas algo maravilhoso e Divino, o que, mais uma vez, é uma projecção da ideia de que o "eu" é permanente.
Tendo observado tudo isso, deixa-se de lado a ideia de que o "eu" é eterno e Divino, eternamente atemporal, etc. - isto também é absurdo.
Percebe-se com muita clareza que o pensamento construiu o "eu" - e o "eu" tornou-se independente, adquiriu conhecimento; o "eu" é o observador, o "eu" é o passado.
O "eu", que é o passado, flui ao longo do presente e se modifica como o futuro; ele é ainda o "eu" que é fruto do pensamento, e este "eu" tornou-se independente do pensamento. Certo? Podemos prosseguir a partir daqui?
Por favor, não aceitem a descrição, as palavras, mas vejam a verdade disso. Assim como vêem o microfone como um facto, vejam também isso.
O "eu" tem nome, tem forma. O "eu" tem rótulo, chama-se K ou João, e tem forma, identifica-se com o corpo, com o rosto, e com tudo o mais. Existe, então, a identificação do "eu" com o nome e a forma, que é a estrutura, e com o ideal que ele quer perseguir, ou com o desejo de transformar o "eu" noutra forma de "eu", com outro nome. Então, esse é o "eu". O "eu" é produto do tempo e, portanto, do pensamento. O "eu" é a palavra. Remova-se a palavra, e o que sobra? O que é o "eu"?
Esse "eu", portanto, sofre. O "eu", assim como o "você", sofre. Então o "eu", ao sofrer, é "você". O "eu", na sua grande ansiedade, é a grande ansiedade do "você" - portanto, eu e você somos iguais. Eis a essência básica. Embora você seja maior, ou menor, mais esperto, tenha temperamento diferente, carácter diferente - tudo isso é o movimento periférico da cultura, mas bem lá no fundo, basicamente somos o mesmo.
Então o "eu" é levado pela correnteza da cobiça, do egoísmo, pela correnteza do medo, da ansiedade, etc., que é o mesmo que você estar na correnteza. Ou seja: você é egoísta e um potro é egoísta; você sente medo e um outro sente medo. Resumindo: você está ferido, sofrendo, com lágrimas, cobiça, inveja - este é o destino comum de todos os seres humanos. Este é o curso normal de nossas existências no presente. Vivemos - todos nós - presos a esse fluxo. Vamos apresentar isso de outra forma: nós vivemos nessa correnteza, nesse fluxo de egoísmo. Essa palavra engloba todas as descrições do "eu" dadas até agora. E quando morremos, o organismo morre, mas o fluxo de egoísmo prossegue.
Pensem nisso. Suponhamos que eu tenha vivido uma vida bastante egoísta, numa actividade que gira em redor de mim mesmo: dos meus desejos, a importância dos meus desejos, as ambições, a cobiça, a inveja, o acumular de propriedades, o acumular de conhecimento, o acumular de uma grande variedade de objectos - a tudo isso eu dei o nome de egoísmo. E eu vivo dessa maneira. Isto é, o "eu" e "você" também. Nos nossos relacionamentos dá-se o mesmo. Assim, enquanto vivermos, continuaremos a seguir juntos o fluxo do egoísmo.
Isso é um facto; não se trata da minha opinião ou de um conceito meu.
Se observar com atenção, verá.
Encontra o mesmo fenómeno na América, na Índia, por toda a Europa, modificado pelas pressões ambientais, etc. - mas esse, basicamente, é o movimento. E quando o corpo morre, o movimento prossegue.
Portanto, a enorme correnteza de egoísmo, se posso usar esta palavra para englobar tudo o que implica, é o movimento do tempo; e quando o corpo morre, isso prossegue. Continuamos na correnteza, dia após dia, até a morte e, quando morremos, o fluxo prossegue. Esse fluxo é o tempo. Esse movimento do pensamento criou o sofrimento, criou o "eu", e a partir dele o "eu" se afirmou, agora como ser independente e separando-se de "você", mas este "eu" é assim como "você" quando sofre. Então o "eu" é a palavra, o "eu" é a estrutura imaginada do pensamento. Por si mesmo ele não tem nenhuma realidade. Ele é aquilo que o pensamento fez dele; devido ao fato de que o pensamento precisa de segurança e de certeza, ele investiu no "eu" toda a sua certeza. E nisso há sofrimento. Enquanto vivermos, seremos carregados nesse movimento, nesse fluxo de egoísmo. E quando morremos, o fluxo continua a existir.
E será que é possível fazer cessar esse fluxo?
Eu morro fisicamente, isso é evidente. A minha mulher pode chorar por causa disso, mas o facto é que eu morro, o corpo morre. E o movimento do tempo, do qual todos fazemos parte, prossegue. É por isso que o mundo é eu e eu sou o mundo.
Poderá esse fluxo ser interrompido?
E essa interrupção será a manifestação de algo diferente, de algo diferente da correnteza?
Por outras palavras, pode o egoísmo, com todos as suas subtilezas, ser totalmente eliminado?
E essa eliminação é a eliminação do tempo e, portanto, há uma manifestação inteiramente diferente - que é a ausência absoluta de egoísmo.








J.Krishnamurti
Saanen, 24 de Julho de 1975
                                    






































My susceptibility to some kinds of fright (fear) was great. In the street, a man walking towards me, that is to say, in a contrary direction, pulled out a handkerchief in front of me; I started violently, believing, unconsciously, I think, that he was pulling out an arm or revolver.
My short sight - not one the whole very short, but excessively short in what relates to features, to gestures in other people — aided my unbalanced brain.
My imagination misinterpreted the character of their glances. I distorted, I knew not how, the value and the gist of their gestures.
My very sense of hearing was weak; the words I caught I applied, contorting them, to myself.
I saw in every word a term to slight, in each phrase, badly snatched, the shadow and the glimpse of an insult.
The people in the street laughed: it was at me. My weak sight did not allow me to kill the illusion. The eye glasses I had in my pocket I dared not put on, for I feared to find my suspicion true.
I longed for a great self-esteem, that I might forget myself in myself. I desired, oh, how I desired! - an impulse all to benevolence that I might forget me in others. I longed to die, to drop my personality, to let life drop away. I longed to be freed from everything, far away, very far. I wished to look no more upon the faces of men.
In these hours of intense pain I often desired a friend, one that might well comprehend me: my richest dream was of a dog. I often dreamt of having for companion a little child, one picked up stray from the streets. But in my greatest agonies, in the acutest trances of my woe, I desired naught save to forget. Earth, nature, men, ants, beasts, birds - I longed to be at rest from these. I pined for a sleep that nothing within life can give.
My thoughts were of death, of the complete mortality of the soul.
As I walked along the pavements it seemed that all laughter was of me, that I was the object of all ridicule.

[…]

My ear, halfway weak, appeare to prove supersensitive to conversations not read behind me. The words I caught I misinterpreted for my own pain and suffering.







Fernando Pessoa
“Pessoa por conhecer - Textos para um novo mapa”
                                  




















































































































 Tito Colaço 



XXVIII _ III _ MMXV