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quinta-feira, 6 de março de 2014

Hominibus...











Hominibus...





























 A pluralidade Humana 


A pluridade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. 
Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. 
Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender. 
Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e idênticas.
Ser diferente não equivale a ser outro, ou seja, não equivale a possuir essa curiosa qualidade de «alteridade», comum a tudo o que existe e que, para a filosofia medieval, é uma das quatro características básicas e universais que transcendem todas as qualidades particulares. 
A alteridade é, sem dúvida, um aspecto importante da pluralidade; é a razão pela qual todas as nossas definições são distinções e o motivo pelo qual não podemos dizer o que uma coisa é sem a distinguir de outra. 
Na sua forma mais abstracta, a alteridade está apenas presente na mera multiplicação de objectos inorgânicos, ao passo que toda a vida orgânica já exibe variações e diferenças, inclusive entre indivíduos da mesma espécie. 
Só o homem, porém, é capaz de exprimir essa diferença e distinguir-se; só ele é capaz de se comunicar a si próprio e não apenas comunicar alguma coisa, como sede, fome, afecto, hostilidade ou medo. No homem, a alteridade, que ele tem em comum com tudo o que existe, e a distinção, que ele partilha com tudo o que vive, tornam-se singularidades e a pluralidade humana é a paradoxal pluralidade dos seres singulares. 

Hannah Arendt
"A condição Humana"





























































TITO COLAÇO
VI____III____MMXIV












quarta-feira, 5 de março de 2014

Attentionem...









Attentionem...

































  Atenção ao estilo rebuscado e cheio de adornos  


Quando vires alguém com um estilo rebuscado e cheio de adornos podes ter a certeza de que a sua alma apenas se ocupa igualmente de bagatelas. 
Uma alma verdadeiramente grande é mais tranquila e senhora de si a falar, e em tudo quanto diz há mais firmeza do que preocupação estilística. 
Tu conheces bem os nossos jovens elegantes, com a barba e o cabelo todo aparado, que parecem acabadinhos de sair da fábrica! 
De tais criaturas nada terás a esperar de firme ou sólido. O estilo é o adorno da alma: se for demasiado penteado, maquilhado, artificial, em suma, só provará que a alma carece de sinceridade e tem em si algo que soa a falso. 
Não é coisa digna de homens o cuidado extremo com o vestuário! Se nos fosse dado observar "por dentro" a alma de um homem de bem.
— oh! que figura bela e venerável, que fulgor de magnificente tranquilidade nós contemplaríamos, que brilho não emitiriam a justiça, a coragem, a moderação e a prudência! 
E não só estas virtudes, mas ainda a frugalidade, o autodomínio, a paciência, a liberalidade, a gentileza e essa virtude, incrivelmente rara no homem, que é a humanidade.
 — também estas fariam jorrar sobre a alma o seu sublime esplendor! 
E mais ainda, a presciência, o juízo crítico e, acima de todas, a magnanimidade.
 — oh! deuses, quanta beleza, quanta severa dignidade não acrescentariam à figura, quanta autoridade e graça se não juntariam nela! 
Ninguém contemplaria tal figura sem a declarar tão digna de amor como de respeito. 


Séneca
"Cartas a Lucílio"










































































Attentionem...
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TITO COLAÇO
V_______III_______MMXIV














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