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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Man behind a mask...








Man behind a mask...


























A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade de dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento.
Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre.
E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente.
Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa, sim, é a tua tragédia, e a que trazes contigo.
Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela.
A morte é uma libertação porque morrer é não precisar de outrem.
O pobre escravo vê-se livre à força dos seus prazeres, das suas mágoas, da sua vida desejada e contínua.
Vê-se livre o rei dos seus domínios, que não queria deixar.
As que espalharam amor vêem-se livres dos triunfos que adoram.
Os que venceram vêem-se livres das vitórias para que a sua vida se fadou.
Por isso a morte enobrece, veste de galas desconhecidas o pobre corpo absurdo. É que ali está um liberto, embora o não quisesse ser. É que ali não está um escravo, embora ele chorando perdesse a servidão. Como um rei cuja maior pompa é o seu nome de rei, e que pode ser risível como homem, mas como rei é superior, assim o morto pode ser disforme, mas é superior, porque a morte o libertou.
Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a liberdade.
Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis.
Na cadeira, aonde me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído.







Fernando Pessoa


“Livro do Desassossego”








































































Interrogador: A grande parte da nossa vida diária é vivida ao nível unicamente factual, particularmente as crianças que aprendem os factos na escola. Será esta actividade factual diária e necessária um obstáculo à liberdade psicológica?



Krishnamurti: Senhor, nada é um obstáculo à liberdade psicológica, nada! 
Um obstáculo só surge quando há uma resistência. Quando não existe nenhum tipo de resistência então não existe nenhum problema psicológico. 
Se tratar a vida diária, ganhar a vida, educar as crianças, a monotonia de tudo isso, a rotina, a tarefa diária de lavar os pratos, com resistência, como um impedimento, então ela torna-se um problema. 
Mas quando temos consciência de todo este processo de viver com a sua rotina, com os seus hábitos, com a sua monotonia, com as suas ansiedades, pesares, medos, dominações, posses, quando temos consciência disso sem qualquer escolha (você não pode fazer nada a respeito dessa chuva, ou do contorno daquelas colinas, e se conseguir olhar para a sua própria actividade da mesma maneira, tranquilamente, sem qualquer escolha, sem qualquer resistência), então não existe nenhum problema psicológico.
                                       



Jiddu Krishnamurti




































I'm searching for Christian number one
My new creation tunes the vertex of the sun
And inside my planetary gear
The machines decoding heavens
I'm coming closer, coming near

And I'm searching all day and I'm searching all night
For the sonic of truth and a hole in the sky

I stay between the hours
And fill them with sand
My destiny's time dust
Is stolen soil from Promised Land
After lunation number nine
I will start this elevator
With the time key for re-find

And this clockwork is made - Cutting holes in the sky
I will drink from a source called the liquid of time

And this clockwork is made - Cutting holes in the sky
I will drink from a source called the accident time
Now I'm searching all day and I'm searching all night
For the sonic of truth and the hole in the sky

Time is a mystification
Searching the hole in the sky




Vanden Plas
“Holes in the sky”






















I can't live - I can't die
I am dead - but alive
Something's losing the seals
from the box with my feelings

Something's creeping there behind the rows
And it's waiting outside for the someone in you
With the will to forgive
Then it kills to live

Inside I am leaving
Inside I am searching for
Inside there's a reason
In our heart, in our mind, in the lair of my soul inside
Inside

I'm alone, standing here
with my hate and my fears
Grace is calling my name,
but still calling me in vain

For the creeper's always at the door
So I dance on the wave on the crest of my hate
And my paper boat's wolfed by this waterfall

Inside I am leaving
Inside I am searching for
Inside there's a reason
In our heart, in our mind, in the lair of my soul inside

Tell me the sense of a life where we always return
Sometimes in life I've seen the end of the rainbow
Caught in the dark side of life, never finding my way
There is no guide straight to the end of the rainbow

Tell me the sense of a life where we always return
Sometimes in life I've seen the end of the rainbow
Caught in the dark side of life, never finding my way
There is no guide straight to the end of the rainbow



Vanden Plas
“ Inside”













































Tito Colaço


I _ V _ MMXV

































Feel it...






Feel it...












Feel it...













































O que habitualmente se sofre (se sente) não se pode contar.
Não é só porque isso é normalmente ridículo (porque a grande maior parte do que se pensa e sente é ridículo) e só o que é grande é que cai bem e vale portanto a pena dizer-se.
É que o dizer-se altera o que se diz.
O sentir é irredutível ao dizer.
Só o estar sofrendo diz o sofrer. 
Na palavra ninguém o reconhece ou reconhece-o de outra maneira, essa maneira em que já o não reconhece o que o conta.
Mas dizia eu que a generalidade do que se pensa, sente, é ridícula.
São raros os momentos de “elevação”.
A quase totalidade do tempo passamo-la distraídos, alheados em ideias sem interesse, nascidas de coisas sem interesse, as coisas que vai havendo à nossa volta ou no nosso divagar imaginativo ou que nem sequer chega a haver porque há só a abstracção total no quedarmo-nos pregados às coisas que nem vemos nem nos despertam ideia alguma e estão ali apenas como ponto de fixação do nosso absoluto vazio interior.





Vergílio Ferreira


“Conta-Corrente 1”




















À primeira vista, nada pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano, que não apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do homem, mas também nem sempre é reprimido dentro dos limites da natureza e da realidade.
Formar monstros e juntar formas e aparências incongruentes não causam à imaginação mais embaraço do que conceber os objectos mais naturais e mais familiares. Apesar de o corpo confinar-se num só planeta, sobre o qual se arrasta com sofrimento e dificuldade, o pensamento pode transportar-nos num instante às regiões mais distantes do Universo, ou mesmo, além do Universo, para o caos indeterminado, onde se supõe que a Natureza se encontra em total confusão. Pode-se conceber o que ainda não foi visto ou ouvido, porque não há nada que esteja fora do poder do pensamento, excepto o que implica absoluta contradição.
Entretanto, embora o nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, ele está realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e todo o poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência. Quando pensamos numa montanha de ouro, apenas unimos duas ideias compatíveis, ouro e montanha, que outrora conheceramos.
Podemos conceber um cavalo virtuoso, pois o sentimento que temos de nós mesmos permite-nos conceber a virtude e podemos uni-la à figura e forma de um cavalo, que é um animal bem conhecido.
Em resumo, todos os materiais do pensamento derivam das nossas sensações externas ou internas; mas a mistura e composição deles dependem do espírito e da vontade. Ou melhor, para expressar-me em linguagem filosófica: todas as nossas ideias ou percepções mais fracas são cópias de nossas impressões ou percepções mais vivas.
Para prová-lo, espero que serão suficientes os dois argumentos seguintes.
Primeiro, se analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais compostos ou sublimes que sejam, sempre verificamos que se reduzem a ideias tão simples como eram as cópias de sensações precedentes. Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem mais distantes desta origem mostram-se, sob um escrutínio minucioso, derivadas dela. A ideia de Deus, significando o Ser infinitamente inteligente, sábio e bom, nasce da reflexão sobre as operações do nosso próprio espírito, quando aumentamos indefinidamente as qualidades de bondade e de sabedoria. Podemos continuar esta investigação até a extensão que quisermos, e concluiremos sempre que cada ideia que examinamos é cópia de uma impressão semelhante.
Aqueles que dizem que esta afirmação não é universalmente verdadeira, nem sem excepção, têm apenas um método, e em verdade fácil, para refutá-la: mostrar uma ideia que, em sua opinião, não deriva desta fonte.
Incumbir-nos-ia então, se quiséssemos preservar a nossa doutrina, de mostrar a impressão ou percepção mais viva que lhe corresponde.
Segundo, se ocorre que o defeito de um órgão prive uma pessoa de uma classe de sensação, notamos que ela tem a mesma incapacidade para formar as ideias correspondentes. Assim, um cego não pode ter noção das cores nem um surdo dos sons. Restaurai a um deles um dos sentidos de que carecem: ao abrirdes as portas às sensações, possibilitais também a entrada das ideias, e a pessoa não terá mais dificuldade para conceber aqueles objectos. O mesmo fenómeno ocorre quando o objecto apropriado para estimular qualquer sensação nunca foi aplicado ao órgão do sentido.

(...)

Apesar de haver poucos ou nenhum caso de semelhante deficiência no espírito, em que uma pessoa nunca sentiu ou que é completamente incapaz de um sentimento ou paixão próprios da sua espécie, constatamos, todavia, que a mesma observação ocorre em menor grau.
Um homem de modos brandos não pode formar uma ideia de vingança ou de crueldade obstinada, nem um coração egoísta pode conceber facilmente os ápices da amizade e da generosidade.
Em verdade, admitimos que outros seres podem possuir muitos sentidos dos quais não temos noção, porque as ideias destes sentidos nunca nos foram apresentadas pela única maneira por que uma ideia pode ter acesso ao espírito, isto é, mediante o sentimento e a sensação reais.




David Hume
 ”Investigação acerca do entendimento humano”




























































Be it so; we are sundered for ever­ -
I and life's happy and sane.
My nature and theirs did us sever;
Nought can unite us again.


Again? We were never unparted,
Differently destined and born­ -
They born to be light and stout‑hearted,
I to be pained and worn.


Be it so; we for ever are sundered!
What would the normal with me?
My own inner reason hath wondered
Trembling at its misery.


I give me all over to terror
All unto madness and woe;
I yield up my thoughts unto error.
'Twas to be so; be it so!


Of my thoughts I no longer am master,
Ceasing is now all control.
My mind doth decay: take your pasture
Ravings, ye worms of the soul!







Alexander Search
Be it so!

























































Tito Colaço



I _ V _ MMXV