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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Words and ideas of confusion...













Words and ideas of confusion...



















Words and ideas of confusion...














Se ocasionalmente nos ocupássemos em nos examinar, e o tempo que gastamos para controlar os outros e para saber das coisas que estão fora de nós o empregássemos em nos sondar a nós mesmos, facilmente sentiríamos o quanto todo esse nosso composto é feito de peças frágeis e falhas.
Acaso não é uma prova singular de imperfeição não conseguirmos assentar o nosso contentamento em coisa alguma, e que, mesmo por desejo e imaginação, esteja fora do nosso poder escolher o que nos é necessário?
Disso dá bom testemunho a grande discussão que sempre houve entre os filósofos para descobrir qual é o soberano bem do homem, a qual ainda perdura e perdurará eternamente, sem solução e sem acordo: Enquanto nos escapa, o objecto do nosso desejo sempre nos parece preferível a qualquer outra coisa; vindo a desfrutá-lo, um outro desejo nasce em nós, e a nossa sede é sempre a mesma. (Lucrécio).
Não importa o que venhamos a conhecer e desfrutar, sentimos que não nos satisfaz, e perseguimos cobiçosos as coisas por vir e desconhecidas, pois as presentes não nos saciam; em minha opinião, não que elas não tenham o bastante com que nos saciar, mas é que nos apoderamos delas com mão doentia e desregrada: Pois ele viu que os mortais têm à sua disposição praticamente tudo o que é necessário para a vida; viu homens cumulados de riqueza, honra e glória, orgulhosos da boa reputação de seus filhos; e entretanto não havia um único que, em seu foro íntimo, não se remoesse de angústia e cujo coração não se oprimisse com queixas dolorosas; compreendeu então que o defeito estava no próprio recipiente, e que esse defeito corrompia tudo de bom que fosse colocado de fora em seu interior  (Lucrécio).
O nosso apetite é indeciso e incerto: não sabe conservar coisa alguma, nem desfrutar nada da maneira certa.
O homem, julgando que isso seja um defeito dessas coisas, acumula e alimenta-se de outras coisas que ele não sabe e não conhece, em que aplica os seus desejos e esperanças, honrando-as e reverenciando-as; como diz César: Por um vício comum da natureza, acontece termos mais confiança e também mais temor em relação às coisas que não vimos e que estão ocultas e desconhecidas.






Michel de Montaigne
 “Ensaios”



































Apercebemo-nos, penso eu, sem muita discussão, sem muita expressão verbal, que há caos, confusão e infelicidade tanto a nível individual como colectivo. 
Não existe somente na Índia, mas em todo o mundo; na China, na América, na Inglaterra, na Alemanha – por todo o mundo há confusão e sofrimento crescentes. 
Não são factos apenas nacionais, não existem particularmente aqui, existem em todo o mundo. Há um sofrimento extremamente intenso, e não é só individual mas colectivo. Trata-se portanto de uma catástrofe mundial, e limitá-la a uma área geográfica, a uma secção colorida do mapa, é absurdo; porque então não compreenderemos o completo significado deste sofrimento tanto mundial como individual. 
E estando conscientes desta confusão, qual é hoje a nossa resposta?
Como reagimos?
Há sofrimento social, político, religioso; todo o nosso ser psicológico está confuso, e todos os líderes, políticos e religiosos nos falharam; todos os livros perderam a sua significação. Pode-se recorrer ao Bhagavad Guita ou à Bíblia, ou ao mais recente tratado de política ou psicologia, e descobrir-se-á que eles perderam essa qualidade de autenticidade, de verdade, tornaram-se meras palavras. 
Vós mesmos, que sois repetidores dessas palavras, estais confusos e incertos, e a simples repetição das palavras não transmite nada. 
Portanto, as palavras e os livros perderam o seu valor; isto é, se citais a Bíblia, ou Marx ou o Bhagavad Gita, tal como vós, que os citais estais vós mesmos incertos, confusos, a vossa repetição torna-se uma mentira; porque o que aí está escrito torna-se mera propaganda, e a propaganda não é a Verdade. 
Assim, quando repetis, deixais de compreender o vosso próprio estado de ser. Estais apenas a cobrir com palavras de autoridade a vossa própria confusão. Mas o que estamos a tentar fazer é compreender esta confusão e não a encobri-la com citações; assim qual é a vossa resposta a isso?
Como é que respondeis a este caos extraordinário, a esta confusão, a esta incerteza da existência? 
Tomai consciência disto, enquanto eu a investigo: segui, não as minhas palavras, mas o pensamento que está activo em vós.
Muitos de nós estão acostumados a ser espectadores e a não tomar parte no jogo. Lemos livros, mas nunca escrevemos livros. Tornou-se tradição nossa – o nosso hábito nacional e universal – sermos espectadores, assistir a um desafio de futebol, ouvir os políticos e oradores públicos. Somos meros assistentes, e perdemos a capacidade criativa. Sendo assim, queremos absorver e participar.
Mas se ficarmos meramente a olhar, se somos meros espectadores, perderemos inteiramente o significado deste discurso, porque isto não é uma conferência que ficais a ouvir por força de hábito. Não vou dar-vos nenhuma informação que podeis colher numa enciclopédia. O que vamos tentar fazer é compreender os pensamentos uns dos outros, para entender, tanto quanto possível, tão profundamente quanto pudermos, as sugestões, as reacções dos nossos próprios sentimentos. Assim, averiguaremos qual é a nossa resposta a esta causa, a este sentimento; não quais são as palavras de outra pessoa, mas como nós mesmos respondemos. 
A nossa resposta será de indiferença, se beneficiamos do sofrimento, do caos, se tiramos proveito dele, seja ele económico, social, político ou psicológico. Sendo assim, não nos importamos se este caos continuar.






Jiddu Krishnamurti
“ A primeira e última liberdade”


































Idea. What is an idea?
We say there are ideas of triangle, of animal, of God.
How are these under the same denomination of ideas?
Perhaps we must say: an idea is a thing. But then we enter the system of Protagoras, which Plato already so well criticized.
If an idea equals a thing, since one man has an idea of God and another man an idea of no‑God, to each of these ideas corresponds a thing.
Now, since the ideas are opposite, so are the things and this is impossible. (Answer to this: there is no idea of no-God.) There is no idea of nothing. An idea of nothing is no idea.
But, then, there are, for one man an idea of God, for another man an idea of Fate and for another an idea of Matter. 
Each of these is an idea, all of these ideas have the same degree of clearness — they nevertheless contradict each other.
Characteristics of an idea, e.g. the idea of circle. 
Unity. Perfection. Simplicity.
Idea = possibility.
Idea of form.
Idea of triangle.
Idea of scalene triangle.
Idea of a particular scalene triangle which I have just drawn.





Fernando Pessoa
“Idea. What is an idea?”





































Tito Colaço




XV _ IV _ MMXV




































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