Páginas

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Across the horizon…

















Across 
the
horizon…















"Sabe, no caso da maioria de nós, a mente é ruidosa, tagarelando consigo mesma sem parar, fala ou tagarela sobre alguma coisa, ou tenta falar com ela mesma, convencer a si mesma de algo; está sempre se movimentando, ruidosa. E desse ruído, agimos. Qualquer acção nascida do ruído gera mais ruído, mais confusão. Mas se observar e aprender o que significa se comunicar, a dificuldade da comunicação, a não-verbalização da mente, isto é, que comunica e recebe comunicação, então como a vida é movimento, na sua acção, se movimentará natural e livremente, facilmente, sem qualquer esforço, para esse estado de comunhão. E nesse estado de comunhão, se examinar mais profundamente, descobrirá que não está apenas em comunhão com a natureza, com o mundo, com tudo à sua volta, mas também em comunhão consigo mesmo."

"Varanasi 2nd Public Talk 22nd November 1964"
































"Senhores, quando verdadeiramente amam, quando o vosso coração está pleno, saberá o que é empenhar-se sem esforço, viver sem conflito. É a mente que não ama que se contenta com elogios, aprecia a adulação e evita o insulto, que precisa de uma multidão, uma plataforma, que precisa de confusão; mas tal mente, tal coração, não conhecerá o amor. 

O homem cujo coração está cheio com as coisas da mente, o seu mundo é um mundo de mito, e sob os mitos ele vive; mas aquele que está livre de mitos conhece o amor.


"The mirror of relationship: Love, Sex and Chastity"























"Se é inteligente, se tem a capacidade, se tem a energia, então é comparativamente simples estudar o problema. O perfeito estudo do problema é a própria resposta; a resposta não está distante do problema. Mas para estudar, para descobrir a verdade do problema, precisa de energia, precisa de vitalidade, e essa vitalidade e essa energia é destruída quando está a seguir alguém, quando está a seguir o seu guru, quando está a seguir o seu líder político ou um sistema económico. Toda a sua energia criativa se perde ao seguir alguma coisa, ao disciplinar a sua mente a um padrão de acção. Quando o líder fracassa, quando o líder morre, quando alguma coisa acontece, você fica sozinho."

"Talks in India 1953"












"Consciente ou inconscientemente nos recusamos a ver a essencialidade de estar passivamente consciente porque de facto não queremos deixar os nossos problemas; pois o que seríamos sem eles? Nós antes nos prenderíamos a algo que conhecemos, embora doloroso, do que nos arriscaríamos na busca de algo que quem sabe aonde nos levaria. Com os problemas, pelo menos, estamos familiarizados; mas o pensamento de ir ao encalce do causador deles, não sabendo aonde nos levará, cria em nós medo e estupidez. A mente estaria perdida sem o aborrecimento dos problemas; ela se alimenta de problemas, sejam eles problemas do mundo ou da cozinha, políticos ou pessoais, religiosos ou ideológicos assim, os nossos problemas nos fazem limitados e insignificantes. 
Uma mente que está consumida pelos problemas do mundo é tão insignificante quanto a mente que se preocupa com o progresso espiritual que está supostamente a fazer. 
Os problemas sobrecarregam a mente com medo, pois, problemas reforçam o ego, o “eu” e o “meu”. Sem problemas, sem aquisições e fracassos, o ego não existe.
"Commentaries on living, Series I, Chapter 49, Problems and escapes"


















"A maioria de nós está acostumada a fugir imediatamente quando surge um problema, e consideramos muito difícil ficar com o problema, apenas observá-lo sem interpretar, condenar ou comparar, sem tentar alterá-lo ou fazer alguma coisa com ele. Isso exige a completa atenção da pessoa, mas para a maioria de nós nenhum problema é tão sério que nós queiramos dar a ele a nossa completa atenção, pois levamos uma vida muito superficial, e facilmente nos satisfazemos com respostas loquazes, reacções rápidas. Queremos esquecer o problema, afastá-lo e procurar alguma outra coisa. Apenas quando o problema nos toca intimamente, como no caso da morte, ou uma completa falta de dinheiro, ou quando o marido ou a esposa nos deixou, só então o problema pode se tornar uma crise. Mas nós nunca permitimos que um problema provoque uma crise na nossa vida; sempre o empurramos com explicações, com palavras, com as várias coisas que usamos como defesa.

"Talks by Krishnamurti in Saanen, 1964"











"Uma das principais perguntas que a pessoa deve se fazer é esta: quão longe ou a que profundeza pode a mente penetrar em si mesma? Essa é a qualidade da seriedade porque implica vigilância a toda estrutura do próprio ser psicológico com os seus impulsos, as suas compulsões, o seu desejo de realização, e as suas frustrações, as suas misérias, esforços e ansiedades, as suas lutas, sofrimentos, e os inumeráveis problemas que tem. A mente que perpetuamente tem problemas não é absolutamente uma mente séria, mas a mente que compreende cada problema quando ele surge e o dissolve imediatamente de modo que ele não é levado para o dia seguinte, tal mente é séria.
Em que a maioria de nós está interessada? 
Se temos dinheiro, nos voltamos para as chamadas coisas espirituais, ou diversões intelectuais, ou discutimos arte, ou pintamos para nos expressar. Se não temos dinheiro, o nosso tempo é usado dia após dia para ganhá-lo, e ficamos presos nessa miséria, na sua infindável rotina e aborrecimento. A maioria de nós é treinada para funcionar mecanicamente em alguma profissão, ano após ano. Temos responsabilidades, esposa e filhos para sustentar, e presos neste mundo louco tentamos ser sérios, tentamos nos tornar religiosos; vamos à igreja, aderimos a esta organização religiosa ou àquela, ou talvez, ouvimos falar destes encontros, e como temos férias, viemos para cá. Mas nada disso produzirá esta extraordinária transformação da mente."

"The book of life"










"Devemos, acho, olhar o problema como um todo, não uma parte particular desse problema, não como um segmento ou um fragmento dele, mas o problema total do viver, que inclui ir ao escritório, a família, amor, sexo, conflito, ambição e a compreensão do que é a morte e também se existe alguma coisa chamada Deus, ou verdade, ou que nome se dê. Devemos compreender a totalidade deste problema. Essa vai ser a nossa dificuldade, porque estamos muito acostumados a agir e reagir a um dado problema e não a ver que todos os problemas humanos estão interligados. 
Assim parece que provocar uma revolução psicológica completa, é muito mais importante do que uma revolução económica ou social, desorganizar um estabelecimento particular, neste país ou em França, ou na Índia, porque o problema é muito mais profundo do que meramente se tornar um activista, ou aderir a determinado grupo, ou retirar-se para um mosteiro para meditar, ou aprender Zen ou ioga."


"You are the world"


JIDDU KRISHNAMURTI





















"O principal defeito da vida é ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar. Quem, todavia, quotidianamente der à própria vida `os últimos retoques´ nunca se queixará de falta de tempo; em contrapartida, é da falta de tempo que provém o temor e o desejo do futuro, o que só serve para corroer a alma. Não há mais miserável situação do que vir a esta vida sem se saber qual o rumo a seguir nela; o espírito inquieto debate-se com o inelutável receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? 
Há um apenas: que a nossa vida não se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio. 
Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu espírito, em perfeito equilíbrio, souber que me é indiferente viver um dia ou viver um século, então poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! 
Que espécie de perturbação nos poderá causar a variedade e instabilidade da vida humana se nós estivermos firmes perante a instabilidade? 
Apressa-te a viver, caro Lucílio, imagina que cada dia é uma vida completa. Quem formou assim o seu carácter, quem quotidianamente viveu uma vida completa, pode gozar de segurança; para quem vive de esperanças, pelo contrário, mesmo o dia seguinte lhe escapa, e depois vem a avidez de viver e o medo de morrer, medo desgraçado, e que mais não faz do que desgraçar tudo."

Séneca

"Cartas a Lucílio"

























"It is necessary now that I should tell what manner of man I am. My name, it matters not, nor any other outward detail particular to me. Of my character aught must be said.
The whole constitution of my spirit is one of hesitancy and of doubt. Nothing is or can be positive to me; all things oscillate round me, and I with them, an uncertainty unto myself. All for me is incoherence and change. All is mystery and all is meaning. All things are `unknown´ symbolic of the Unknown. Consequently horror, mystery, over-intelligent fear.
By my own natural tendencies, by the surroundings of my earliest life, by the influence of studies undertaken under the impulse of them (these very tendencies), by all this I am of the internal species of character, self-centred, mute, not self-sufficing but self-lost. All my life has been one of passiveness and of dream. All my character consists in the hatred, in the horror of, in the incapacity pervading all that is me, physically and mentally, for decisive acts, for definite thoughts. I had never a resolution born of a self-command, never an external betraying of a conscious will. My writings were none of them finished; new thoughts intruded ever, extraordinary, inexcludable associations of ideas bearing infinity for term. I cannot prevent my thought's hatred of finish; about a single thing ten thousand thoughts, and tenthousand inter-associations of these ten thousand thoughts arise, and I have no will to eliminate or to arrest these, nor to gather them into one central thought, where their unimportant but associated details may be lost. 
They pass in me; they are not my thoughts, but thoughts that pass through me. I do not ponder, I dream; I am not inspired, I rave. I can paint, but I have never painted; I can compose music, but I have never composed. Strange conceptions in three arts, lovely strokes of imagining caress my brain; but I let them slumber there till they die, for I have not power to give them their body, to make them things of the world outside.
My character of mind is such that I hate the beginnings and the ends of things, for they are definite points. The idea of a solution being found for problems the highest, the noblest, of science, of philosophy, afflicts me; that aught might be determined of God or of the world horrorizes me. That things of most moment should be accomplished, that men should one day all be happy, that a solution might be found to the ills of society, even in its conception maddens me. Yet I am not evil nor cruel; I am mad and that as it is difficult to conceive.
Though I have been a reader voracious and ardent, yet I remember no book that I have read, so far were my reading states of my own mind, dreams of my own, nay, provocations of dreams. My very memory of events, of external things is vague, more than incoherent. I shudder to think how little I have in mind of what my past life has been. I, the man who holds that today is a dream, am less than a thing of today."



Fernando Pessoa



































t.





































terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

United in a scream...











United in a scream...





The bridges we build will burn down...


















"Não está consciente disto? Das suas acções óbvias, do seu sofrimento esmagador? Quem criou isto a não ser cada um de nós? Quem é responsável por isto a não ser cada um de nós? Como criamos o bem, embora pequeno, também criamos o mal, embora vasto. Bem e mal são parte de nós e são, também, independentes de nós. Quando pensamos-sentimos limitadamente, invejosamente, com ganância e ódio, estamos adicionar ao mal que se volta e nos despedaça. Este problema de bem e mal, este problema conflituante, está sempre connosco já que o estamos a criar. Tornou-se parte de nós, este querer e não querer, amar e odiar, pedir e renunciar. Estamos continuamente a criar esta dualidade em que pensamento-sentimento fica preso. Pensamento-sentimento só pode ir além e acima do bem e seu oposto quando compreender a sua causa. Na compreensão de mérito e demérito há liberdade dos dois. Os opostos não podem se fundir e têm que ser transcendidos através da dissolução do anseio. Cada oposto tem que ser ponderado, sentido, tão extensa e profundamente quanto possível, através de todas as camadas da consciência. Através desta ponderação, sentimento, uma nova compreensão é despertada, que não é produto de anseio ou do tempo. Existe mal no mundo para o qual contribuímos como contribuímos para o bem. O homem parece se unir mais pelo ódio do que pelo bem. Um homem sábio percebe a causa de bem e mal, e pela compreensão liberta o pensamento-sentimento disto."

(...)






"Pergunto-me se existe tal coisa como o mal? Por favor, dê a sua atenção, venha comigo, vamos investigar juntos. Dizemos que existe o bem e mal. Existe inveja e amor, e dizemos que inveja é mal e amor é bem. Por que nós dividimos a vida, chamando isto de bem e aquilo de mal, criando, assim, o conflito dos opostos? Não que não exista inveja, ódio, brutalidade na mente e no coração humano, uma ausência de compaixão, amor, mas por que dividimos a vida na coisa chamada bem e na coisa chamada mal? De facto, não existe apenas uma coisa, que é uma mente não atenta? Certamente, quando há completa atenção, isto é, quando a mente está totalmente consciente, alerta, vigilante, não existe tal coisa como bem ou mal; existe apenas um estado alertado. Aí bondade não é uma qualidade, não é uma virtude, é um estado de amor. Quando existe amor, não há bom ou mau, existe apenas amor. Quando realmente ama alguém, não está a pensar em bom ou mau, todo o seu ser está pleno desse amor. Apenas quando há a cessação completa da atenção, do amor, surge o conflito entre o que eu sou e o que eu deveria ser. Então, aquilo que eu sou é mau, e aquilo que eu deveria ser é chamado bom. Olhe a sua própria mente e verá que no momento em que a mente pára de pensar em termos de se tornar uma coisa, há uma cessação de acção que não é estagnação; é um estado de total atenção, que é bondade."

(...)





"Vê que a maioria de nós está em conflito, vive uma vida de contradição, não só exteriormente, mas também interiormente. Contradição implica esforço. Onde há esforço, há desperdício, há desperdício de energia. Onde há contradição, há conflito. Onde há conflito, há esforço para superar esse conflito que é outra forma de resistência. E onde resistir, há também uma certa forma de energia engendrada, sabe que quando resiste a alguma coisa, essa própria resistência cria energia.
Toda a acção se baseia neste atrito que eu devo e eu não-devo. E esta forma de resistência, esta forma de conflito, gera energia; mas essa energia, se olhar de perto, é muito destrutiva; não é criativa. A maioria das pessoas está em contradição. E se elas têm um dom, um talento para escrever ou pintar, fazer isto ou aquilo, a tensão dessa contradição lhes confere a energia para expressar, criar, escrever, ser. Quanto maior a tensão, maior o conflito, maior é o rendimento, e é isso que chamamos de criação. Mas isto não é absolutamente criação. É o resultado do conflito. Encarar o facto de que está em conflito, que está em contradição, trará essa qualidade de energia que não é o resultado da resistência."

(...)





"Conflito de qualquer tipo, fisicamente, psicologicamente, intelectualmente, é um desperdício de energia. Por favor, é extraordinariamente difícil compreender e estar livre disto porque a maioria de nós é educada para lutar, fazer esforço. Quando estamos na escola, essa é a primeira coisa que nos ensinam, fazer esforço. E essa luta, esse esforço é levado pela vida afora, ou seja, para ser bom, tem que lutar, deve brigar como o diabo , resistir, controlar. Assim, educacionalmente, sociologicamente, religiosamente, os seres humanos são ensinados a lutar. Dizem-lhe que para encontrar Deus, tem que trabalhar, se disciplinar, praticar, retorcer e torturar a sua alma, a sua mente, o seu corpo, negar, suprimir; que não deve olhar; que deve lutar, lutar, lutar nesse chamado nível espiritual que não é absolutamente nível espiritual. Então, socialmente cada um é por si, pela sua família.
Assim, por todo lado, estamos a desperdiçar energia. E esse desperdício de energia em essência é conflito: o conflito entre “Eu deveria” e “Eu não deveria”, “Eu devo” e “Eu não devo”. Uma vez criada a dualidade, o conflito é inevitável. Então a pessoa tem que compreender esta totalidade do processo da dualidade, não que não exista homem e mulher, verde e vermelho, luz e escuridão, alto e baixo; tudo isso são factos. Mas no esforço que passa por esta divisão entre o facto e a ideia, há desperdício de energia."

(...)




"A sua tendência, as suas propensões, a sua inclinação, o seu substrato social, religião, tudo isso empurra-o em certa direcção, e diz que está a escolher. Veja senhor, eu questiono todo este modo de escolher. Por que eu deveria escolher? Se um homem é livre, ele não tem escolha. Não existe a questão da escolha. Fim. Por isso eu disse no início que para estabelecer uma discussão séria, deve haver este exame de liberdade e paz. De outro modo não pode prosseguir."

(...)




"Parece-me que é importante compreender que o conflito de qualquer espécie não produz pensamento criativo. Até compreendermos o conflito e a natureza do conflito, e com o que a pessoa está em conflito, meramente lutar com um problema, ou com um conteúdo ou meio, é completamente inútil. Assim como todas as guerras criam deterioração e inevitavelmente produzem mais guerras, mais miséria, também lutar com o conflito leva a mais confusão. Então, o conflito dentro da pessoa, projectado externamente, cria confusão no mundo. É portanto necessário, não é? Compreender o conflito e ver que conflito de qualquer espécie não produz pensamento criativo, de seres humanos sensatos. E contudo toda a nossa vida é gasta em lutas, e consideramos que as lutas são parte necessária da existência. Existe conflito dentro da pessoa e com o meio ambiente, meio ambiente sendo a sociedade, que é a nossa relação com as pessoas, com as coisas, e com as ideias. Esta luta é considerada inevitável, e pensamos que a luta é essencial no processo da existência. Ora, é assim? Existe algum modo de viver que exclui a luta, no qual existe uma possibilidade de entendimento sem o usual conflito? Não sei se notaram que quanto mais luta com um problema psicológico, mais confuso e enredado fica; e que apenas quando cessa a luta, todo o processo de pensamento, o entendimento surge. Então, temos que investigar se o conflito é essencial, e se o conflito é produtivo."

Jiddu Krishnamurti
"The book of life"



















 






"Men are prone to take dreams for things, false things for things true and to hold reality by nothingness."

Fernando Pessoa










"No man is normal, perfect — this is true. A normal man were a man incapable of being affected by disease. For every disease (as I think) predisposition is necessary, a predisposition of the organism to disease. The degree of predisposition is the degree of abnormality. Every disease supposes predisposition to it, even as every real thing supposes its own personality, since it is real."

Fernando Pessoa











"Let us not curse, let us not sneer at man that the sentiment of this pain is primary and conducive to the sentiment of another’s pain. Let us not smile that it is by egotism and by selfishness that men pass to altruism. Like all human things this is a matter for tears."

Fernando Pessoa



The bridges we build 
will burn down...





The bridges we build 
will burn down...


t.