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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Verba mollia et efficacia...

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    Verba mollia et efficacia...   



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   A verdadeira coragem humana   



Se estás disposto a nunca usar da violência, e sempre resistindo, torna-te forte de corpo e de alma, é a mais difícil de todas as atitudes, exige a constante vigilância de todos os movimentos do espírito, o domínio completo de todos os impulsos dos nervos e dos músculos rebeldes, a agressão é fácil contra o medo e também a primeira solução, para que, em todos os instantes, a possas pôr de lado e substituí-la pela tranquila recusa, não te deves fiar nos improvisos, a armadura de que te revestes nos momentos de crise é forjada dia a dia e antes deles, faz-se de meditação e de ginástica, de pensamento definido e preciso e de perfeitos comandos, quando menos se prevê surge o instante da decisão, rápida e firme, sem emoções ou sufocando-as, tem que trabalhar a máquina formada.
Que trabalhar, sobretudo, humanamente, a visão do autómato é a pior de todas para os amigos do espírito, não serão teus elementos nem a secura, nem a estóica dureza, nem o ar superior, nem as cortantes palavras, requere-se no inabalável a humanidade, o sorriso afectuoso, a íntima bondade, a desportiva calma, amiga do adversário, de quem joga um bom jogo, sozinho guardarás as lutas interiores que tens de suportar, a batalha contínua para impores o silêncio aos instintos de ataque e da vingança, será tua boa auxiliar a pele dura e uma carne que, domada, suporte, sem revolta, as provações e os trabalhos, o óleo do ginásio ajuda Marco Aurélio, quem se adivinha senhor de si melhor resistirá sem violência a tudo o que inventou a real fraqueza do contrário, e só tem que se guardar dos perigos da altivez e do desprezo. 

Agostinho da Silva
"Considerações e outros textos"

























   Os meus sonhos são mais belos que a conversa alheia   


Não faço visitas, nem ando em sociedade alguma, nem de salas, nem de cafés. 
Fazê-lo seria sacrificar a minha unidade interior, entregar-me a conversas inúteis, furtar tempo senão aos meus raciocínios e aos meus projectos, pelo menos aos meus sonhos, que sempre são mais belos que a conversa alheia. 
Devo-me a humanidade futura. 
Quanto me desperdiçar desperdiço do divino património possível dos homens de amanhã; diminuo-lhes a felicidade que lhes posso dar e diminuo-me a mim-próprio, não só aos meus olhos reais, mas aos olhos possíveis de Deus. 
Isto pode não ser assim, mas sinto que é meu dever crê-lo.


 Fernando Pessoa 
"Inéditos"































































TITO COLAÇO
XXIII____IV____MMXIV








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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Ave Bono Sensu...





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   Ave Bono Sensu...   
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  A falta de cultura ética da nossa civilização  

Creio que o exagero da atitude puramente intelectual, orientando, muitas vezes, a nossa educação, em ordem exclusiva ao real e à prática, contribuiu para pôr em perigo os valores éticos. 
Não penso propriamente nos perigos que o progresso técnico trouxe directamente aos homens, mas antes no excesso e confusão de considerações humanas recíprocas, assentes num pensamento essencialmente orientado pelos interesses práticos que vem embotando as relações humanas. 
O aperfeiçoamento moral e estético é um objectivo a que a arte, mais do que a ciência, deve dedicar os seus esforços. 
É certo que a compreensão do próximo é de grande importância. 
Essa compreensão, porém, só pode ser fecunda quando acompanhada do sentimento de que é preciso saber compartilhar a alegria e a dor. 
Cultivar estes importantes motores de acção é o que compete à religião, depois de libertada da superstição. 
Nesse sentido, a religião toma um papel importante na educação, papel este que só em casos raros e pouco sistematicamente se tem tomado em consideração. 
O terrível problema magno da situação política mundial é devido em grande parte àquela falta da nossa civilização. 
Sem "cultura ética" , não há salvação para os homens. 


Albert Einstein
"Como vejo o mundo"









  A inteligência e o carácter das massas  


O nosso tempo é rico em mentes inventivas, cujas invenções podem facilitar consideravelmente as nossas vidas. 
Estamos a atravessar os mares com potência e a utilizar a potência também para libertar a humanidade de todo o trabalho muscular cansativo. 
Aprendemos a voar e somos capazes de enviar mensagens e notícias sem qualquer dificuldade para todo o mundo através de ondas eléctricas. 
Contudo, a produção e a distribuição de bens estão completamente desorganizadas, de tal forma que toda a gente vive com medo de ser completamente eliminada do ciclo económico, sofrendo deste modo do querer tudo. 
Para além disso, as pessoas que vivem em países diferentes matam-se umas às outras com intervalos de tempo irregulares, de tal modo que, também por esta razão, todo aquele que pensa no futuro vive no medo e no terror. 
Isto deve-se ao facto de a inteligência e o carácter das massas serem incomparavelmente menores do que a inteligência e o carácter dos poucos que produzem algo de verdadeiramente válido para a comunidade. 
Tenho confiança em que a posteridade lerá estas afirmações com um sentimento de orgulho e superioridade justificada. 


Albert Einstein
"Discurso (1938) - extracto sobre casulo a ser aberto 5000 anos mais tarde"














TITO COLAÇO
XXI____IV____MMXIV