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terça-feira, 29 de março de 2016

Simplicity...






                                                                                                                        






























Simplicity...





























"
We seem to think that simplicity is merely an outward expression, a withdrawal, having few possessions, wearing a loincloth, having no home, putting on few clothes, having a small bank account. 

Surely, that is not simplicity. That is merely an outward show. 

And it seems to me that simplicity is essential, but simplicity can come into being only when we begin to understand the significance of self-knowledge."







“Our problems, social, environmental, political, religious, are so complex that we can solve them only by being simple, not by becoming extraordinarily erudite and clever. 

Because, a simple person sees much more directly, has a more direct experience, than the complex person. 

And, our minds are so crowded with an infinite knowledge of facts of what others have said that we have become incapable of being simple and having direct experience ourselves. 

These problems demand a new approach, and they can be so approached only when we are simple, inwardly really simple.

 That simplicity comes only through self-knowledge, through understanding ourselves: the ways of our thinking and feeling, the movements of our thoughts, our responses, how we conform through fear to public opinion, to what others say, what the Buddha, the Christ, the great saints have said, all of which indicates our nature to conform, to be safe, to be secure. 

And, when one is seeking security, one is obviously in a state of fear, and therefore there is no simplicity.






Jiddu Krishnamurti
























"Simplicidade significa não ter conflitos, não arder de desejos, não ter ambição. Vejam, queremos sempre a demonstração externa da simplicidade, enquanto internamente estamos a ferver, a arder e a destruir. E pergunta-se:`Por que ocorre isso?´.

Como dissemos, a simplicidade implica honestidade, de tal forma que não haja contradição em si mesmo. E quando há tal estado de mente, há simplicidade real.
 
(Talks and discussions at Brockwood Park)





Simplicidade é acção sem ideia. Mas isso é raríssimo; significa acção criadora. A simplicidade não pode ser cultivada nem experimentada. Ela vem, como a flor que desabrocha, no momento oportuno. 
Porque nunca pensamos a respeito, nunca a observamos, damos valor às exteriorizações de poucas posses, mas isso não é simplicidade. Só vem à existência quando não mais existe o`eu´, quando a mente não está toda entregue a especulações, conclusões, crenças, idealizações.

Só a mente que é livre, pode achar a verdade. Só essa mente pode receber o imensurável, o inefável. E aí está a simplicidade. (A primeira e última liberdade)





Sem dúvida, precisamos começar pelo lado psicológico para descobrir o que é vida simples, pois é o interior que cria o exterior. É a insuficiência interior que faz as pessoas se apegarem aos seus haveres e às suas crenças; é esse sentimento de insuficiência interior que nos força a acumular bens, roupas, saber, virtude. 

Só quando a mente é simples e vulnerável, é possível ver as coisas claramente, nas suas exactas proporções. Assim, a simplicidade da mente é essencial à simplicidade da vida. O mosteiro não constitui solução. Surge a simplicidade quando a mente não tem apego, não está a adquirir, aceita o que é. Isso significa estar livre do background, do conhecido, da experiência adquirida. Só então a mente é simples, e só então é possível ser livre. 
(O nosso único problema)




























E pensamos que a vida simples significa usar tanga e alimentar-se uma vez ao dia. Interiormente, o indivíduo pode estar em concupiscência, na ânsia de dominar, de poder, de ser considerado personalidade popular, de ser saudado como um `grande homem´. 

A verdadeira simplicidade não é austeridade disciplinada. A simplicidade implica uma mente capaz de estar só, não depende de nenhuma exterioridade. E só a mente interiormente simples é capaz de estar só; só a mente simples, religiosa, é capaz de ver a beleza. 
(Uma nova maneira de agir)

A simplicidade não é mera ostentação exterior. O ajustamento a um padrão de simplicidade é exibicionismo; confere respeitabilidade ao homem que se cobre com uma tanga. Ser saniasi é uma forma burguesa de respeitabilidade. Mas, o santo nunca conhecerá a simplicidade, porque não é simples; vive numa batalha perpétua, consigo mesmo.
(A suprema realização)



Simplicidade, para a mente, é estar livre de crença, da luta pelo `vir-a-ser´, é permanecer com `o que é´. E a mente que está atravancada de crenças, de lutas, de esforços, no empenho de alcançar a virtude, não é simples.
Só existe simplicidade quando não existe desejo de ser algo, porque aí o `eu´ está ausente. Se esse `eu´ está de todo ausente, há então simplicidade, a qual se expressa no mundo da acção. (Nós somos o problema)





Ser simples não é uma conclusão, um conceito intelectual pelo qual lutamos. Só pode existir simplicidade quando cessa o `ego´ e as suas acumulações. (O egoísmo e o problema da paz)


Ser sensível interiormente requer muita simplicidade, que não significa andar de tanga, ou possuir poucas roupas, ou não ter carro; mas a simplicidade em que o `eu´ e o `meu´ perderam toda a importância, não há o sentimento de posse; não mais existe `aquele que faz esforço´. (A conquista da serenidade)

Vemos, pois, que a simplicidade do pensar não resulta de acumulação de conhecimentos. Pelo contrário, quanto mais sabemos, tanto menos simples é a nossa mente; e a mente tem de ser simples para compreender o que é.

Simplicidade é compreensão do que é. E só há compreensão do que é quando a mente desistiu de lutar contra o que é, de moldá-lo de acordo com as suas fantasias. Na compreensão do que é, revelam-se-nos os movimentos do `eu´, do `ego´; e isso, certamente, é o começo do auto-conhecimento. 
(Percepção criadora)




Podemos viver neste mundo, frequentar o escritório e outros lugares mais, num estado de completa humildade? Mas, penso que só nesse estado de humildade completa, que é o estado da mente que está sempre pronta a reconhecer que não sabe, só nesse estado há a possibilidade de aprender. De outro modo, estaremos sempre a acumular. (A mente sem medo)

A anulação do conhecimento é o começo da humildade. Só a mente humilde pode compreender o que é verdadeiro e o que é falso, e assim, evitar o falso para seguir o verdadeiro. Esse conhecimento torna-se o nosso background, o nosso condicionamento; molda-nos os pensamentos e nos ajusta ao padrão do que foi. 
(O homem livre)





Deveis tornar-vos conscientes das vossas trivialidades, limitações e preconceitos, a fim de compreendê-los; e somente o conseguireis com humildade, quando não houver julgamento ou comparação, aceitação ou recusa. (Auto-conhecimento, Correcto Pensar, Felicidade)

Assim, sendo, por certo, só termina o sofrimento quando libertar a minha mente de toda a avaliação, comparação, de todas as sanções sociais, acumulações, de modo que fique num estado de humildade, em que a mente está vigilante e lúcida, mas nada sabe. 
(Visão da realidade)

A humildade, como o amor, não é cultivável. Só o homem vão, orgulhoso e pretensioso procura cobrir-se com a capa da humildade. Mas, quem quer aprender necessita desse estado de humildade, de uma mente que não sabe, que não está sempre a adquirir, a galgar, alcançar, atingir.

Só pode existir humildade quando o passado desaparece. A mente deve ser altamente sensível, activa, vigorosa.
 (Encontro com o eterno)

O acumular de bens, experiências ou aptidões, nega a humildade. O acto de aprender está livre do processo de acumulação, mas não a aquisição de conhecimentos. A humildade não admite comparação; não podemos falar em mais ou menos humildade. A humildade e o amor transcendem os limites do cérebro. A humildade está no próprio acto de findar. (Diário de Krishnamurti)"











This is our true state; this is what makes us incapable of certain knowledge and of absolute ignorance. We sail within a vast sphere, ever drifting in uncertainty, driven from end to end. When we think to attach ourselves to any point and to fasten to it, it wavers and leaves us; and if we follow it, it eludes our grasp, slips past us, and vanishes for ever. 

Nothing stays for us. This is our natural condition and yet most contrary to our inclination; we burn with desire to find solid ground and an ultimate sure foundation whereon to build a tower reaching to the Infinite. But our whole groundwork cracks, and the earth opens to abysses.

Let us, therefore, not look for certainty and stability. Our reason is always deceived by fickle shadows; nothing can fix the finite between the two Infinites, which both enclose and fly from it. If this be well understood, I think that we shall remain at rest, each in the state wherein nature has placed him. 

As this sphere which has fallen to us as our lot is always distant from either extreme, what matters it that man should have a little more knowledge of the universe? 

If he has it, he but gets a little higher. Is he not always infinitely removed from the end, and is not the duration of our life equally removed from eternity, even if it lasts ten years longer? 

In comparison with these Infinites, all finites are equal, and I see no reason for fixing our imagination on one more than on another. The only comparison which we make of ourselves to the finite is painful to us. 

If man made himself the first object of study, he would see how incapable he is of going further. How can a part know the whole? But he may perhaps aspire to know at least the parts to which he bears some proportion. But the parts of the world are all so related and linked to one another that I believe it impossible to know one without the other and without the whole. 

Man, for instance, is related to all he knows. He needs a place wherein to abide, time through which to live, motion in order to live, elements to compose him, warmth and food to nourish him, air to breathe. 

He sees light; he feels bodies; in short, he is in a dependent alliance with everything. To know man, then, it is necessary to know how it happens that he needs air to live, and, to know the air, we must know how it is thus related to the life of man, etc. Flame cannot exist without air; therefore, to understand the one, we must understand the other. 

Since everything, then, is cause and effect, dependent and supporting, mediate and immediate, and all is held together by a natural though imperceptible chain which binds together things most distant and most different, I hold it equally impossible to know the parts without knowing the whole and to know the whole without knowing the parts in detail. The eternity of things in itself or in God must also astonish our brief duration. The fixed and constant immobility of nature, in comparison with the continual change which goes on within us, must have the same effect.
 “



Blaise Pascal
“Pensees”
















t.


















































segunda-feira, 28 de março de 2016

The purpose of life...






















































The purpose of life...














"There are many people who will give you the purpose of life; they will tell you what the sacred books say. Clever people will go on inventing what the purpose of life is. 

The political group will have one purpose, the religious group will have another purpose, and so on and on. 

So, what is the purpose of life when you yourself are confused? 

When I am confused, I ask you this question: `What is the purpose of life?´, because I hope that through this confusion, I shall find an answer. How can I find a true answer when I am confused? Do you understand? 

If I am confused, I can only receive an answer that is also confused. If my mind is confused, if my mind is disturbed, if my mind is not beautiful, quiet, whatever answer I receive will be through this screen of confusion, anxiety, and fear; therefore, the answer will be perverted. 

So, what is important is not to ask:`What is the purpose of life, of existence?´; but to clear the confusion that is within you. 

It is like a blind man who asks:`What is light?´. If I tell him what light is, he will listen according to his blindness, according to his darkness; but suppose he is able to see, then he will never ask the question: `What is light?´. It is there.

Similarly, if you can clarify the confusion within yourself, then you will find what the purpose of life is; you will not have to ask, you will not have to look for it; all that you have to do is to be free from those causes which bring about confusion.
"




Jiddu Krishnamurti
"The book of life"





















"To know how to be ready, a great thing, a precious gift, and one that implies calculation, grasp and decision. 
To be always ready a man must be able to cut a knot, for everything cannot be untied; he must know how to disengage what is essential from the detail in which it is enwrapped, for everything cannot be equally considered; in a word, he must be able to simplify his duties, his business, and his life. 
To know how to be ready, is to know how to start.
It is astonishing how all of us are generally cumbered up with the thousand and one hindrances and duties which are not such, but which nevertheless wind us about with their spider threads and fetter the movement of our wings. 
It is the lack of order which makes us slaves; the confusion of today discounts the freedom of tomorrow.
Confusion is the enemy of all comfort, and confusion is born of procrastination. 
To know how to be ready we must be able to finish. 
Nothing is done but what is finished.
The things which we leave dragging behind us will start up again later on before us and harass our path. 
Let each day take thought for what concerns it, liquidate its own affairs and respect the day which is to follow, and then we shall be always ready. 
To know how to be ready is at bottom to know how to die."






Henri Amiel
"Intime journal"














"Sabem o que é a vida? 

Vou então explicar-lhes. Já viram os aldeões, vestidos de farrapos, sujos, perpetuamente esfomeados, a trabalhar sem parar? Esta é uma parte da vida. Adiante notarão um homem de carro, a mulher coberta de jóias, perfumada, com vários empregados. Este é outro aspecto da existência. Ali está aquele que voluntariamente abriu mão das riquezas, que vive com simplicidade, anonimamente, como um desconhecido, que não se considera um santo. Também aqui temos outra
parte da vida. 

Depara-se-lhes algures com o homem que deseja tornar-se eremita, e existe ainda o que se torna devoto, o qual não deseja pensar, mas apenas seguir cegamente alguma coisa. Existe, igualmente, aquele que pensa cuidadosamente, com lógica e sanidade, e que, ao descobrir que os seus pensamentos são limitados, procura transcendê-los. Ele também compõe a
vida. E a morte, a perda de tudo, do mesmo modo faz parte da vida. A crença em deuses e deusas, em salvadores, no paraíso, no inferno, são outros fragmentos da existência. E o amor, o ódio, o ciúme, a cobiça, tudo isso configura a vida. 
(Ensinar e aprender)


O que desejo discutir, é o problema da mente que se aplica a este vasto e complexo problema da existência. A existência não se restringe à obtenção ou conservação de um emprego, mas encerra toda a esfera da existência psicológica, quase desconhecida para a maioria de nós. O problema da existência é este vasto complexo de guerras, classes, castas, divisão, a perpétua batalha do homem contra o homem, em competição. (O problema da revolução total)


Pusemos este mundo em desordem, porque não sabemos o que é
viver. Viver não é essa coisa insípida, medíocre, disciplinada, que
chamamos `a nossa existência´. O viver é transbordante de riqueza, é eterna transformação, e enquanto não compreendermos esse movimento eterno, a nossa vida será, de certo, muito pouco significativa. 
(A cultura e o problema humano)


A experiência é uma coisa, o viver é outra. A experiência é uma barreira ao viver; agradável ou desagradável, impede o florescimento dele. A experiência já está encerrada na rede do tempo, no passado; tornou-se memória, que só toma vida como reacção ao presente. A vida é o presente; não é experiência. 

A mente é experiência, o conhecido, não pode pôr-se no`estado de viver´. A mente só conhece a continuidade, e não pode receber o novo. A experiência tem de cessar para dar lugar ao viver. 
(Comentários sobre o viver)


A vida é, e tem de ser, uma série de desafios e `respostas´. 
O desafio não acompanha os nossos gostos e aversões, nem os nossos desejos especiais, assumindo formas diferentes. E, se temos a capacidade de responder ao desafio de maneira adequada, completa, directa, desaparece, então, o problema. 

Mas, o desafio da vida não é feito em nenhum nível determinado da
existência. A vida não está num único nível, quer o económico, quer o espiritual. A vida, é um estado de relação, em níveis diferentes; está sempre a fluir, a expressar-se de maneiras diferentes; e feliz é o homem que tem a capacidade de enfrentar a vida de maneira completa, em níveis diferentes e em todas as ocasiões.
(O que te fará feliz?)


Podemos ver que, num nível, buscamos conforto, bem-estar físico: queremos uma situação folgada, ter dinheiro, amor, posses, viajar e ter a possibilidade de fazer certas coisas. Noutro nível, um pouquinho mais profundo, queremos felicidade, liberdade, ter a capacidade de fazer coisas espectaculares, grandiosas, magnificentes. 

E, se vemos um pouco mais profundamente, desejamos descobrir o
que está além da morte, e o que é o amor, trabalhar por um ideal, pelo estado perfeito. E, mais profundamente ainda, aspiramos a descobrir o que é a Realidade, o que é Deus, o que é essa coisa tão fecunda e sempre nova. Andamos à deriva, impelidos pelas circunstâncias, até chegar a morte.

Assim, pois, nunca nos acalmamos um pouco para fazer um exame de nós mesmos e procurar discernir o que estamos em busca. Pois, em geral, somos medíocres. Não há nada vital, nada novo, nada criador, em nós. Tudo o que criamos é tão vazio, tão vulgar e sem significação! Não cumpre, portanto, averiguarmos o que é que queremos? (Poder e realizações)






Pergunta: Vivemos, mas não sabemos por quê. Para muitos de nós, a vida parece não ter significação. Podeis dizer-nos qual é o significado e a finalidade do nosso viver?

J. Krishnamurti: O que entendemos por `vida´? 
O viver não é, em si, a sua própria finalidade, a sua própria significação? Por que estamos tão insatisfeitos com a nossa vida, por que ela é tão vazia, tão frívola, tão monótona?
Desejamos algo mais, algo superior àquilo que costumamos fazer. 

Positivamente, senhor, o homem que está a viver com plenitude, que 
vê as coisas como são, está satisfeito com o que tem, não está confuso; está lúcido, e por conseguinte, não pergunta qual é a finalidade da vida. Para ele, o próprio viver é o começo e o fim. A nossa dificuldade, pois, é que, sendo a nossa vida vazia como é, queremos encontrar uma finalidade para a vida, e lutamos por alcançá-la. 
 

Tal finalidade da vida não passa de produto intelectual, inteiramente irreal; 
quando a finalidade da vida é solicitada por uma mente estúpida e embotada, essa finalidade há-de ser também vazia. O nosso problema, por conseguinte, consiste em como tornarmos rica a nossa vida, não de dinheiro, etc., mas interiormente rica. A realidade só pode ser compreendida no viver, e não no fugir. A vida é relação, é acção em 
relação. 
(A Arte da libertação)

Vamos então discorrer sobre a finalidade da vida. Em primeiro lugar, 
quando discutimos um assunto dessa natureza, devemos por certo fazê-lo com muito empenho, e não com uma mentalidade académica, erudita ou superficial, porque isso não nos leva a parte alguma. 

A vida, por certo, implica acção diária, pensamento diário, sentimento diário. Implica as lutas, as dores, as ânsias, os enganos, as tribulações, a rotina do escritório, dos negócios. Por `vida´ entendemos não uma só esfera ou camada da consciência, mas o processo total da existência, que é a nossa relação com as coisas, com as pessoas, com as ideias. É isso o que entendemos por vida, e não uma coisa abstracta. 

Cumpre-nos averiguar muito claramente o que entendemos por finalidade, 
se há finalidade. Podeis dizer que há uma finalidade: alcançar a realidade, Deus, ou o que quiserdes. Para alcançarmos esse alvo, porém, precisamos conhecê-lo, conhecer a extensão, a profundidade do mesmo.Uma vez que a realidade é o desconhecido, a mente que busca o desconhecido deve primeiro libertar-se do conhecido. 

Para descobrir a finalidade da vida, a mente precisa estar livre de
medida. O que é mais importante: descobrir a finalidade da vida ou libertar a mente do seu próprio condicionamento, para depois investigar?
Talvez, quando a mente estiver livre de condicionamento, essa liberdade, em si, seja a finalidade. 

O requisito primordial, portanto, é a liberdade, e não a busca da finalidade 
da vida. Sem liberdade, é bem óbvio que não podemos encontrá-la; sem ficarmos livres das nossas pequeninas necessidades, os nossos desígnios, ambições, da nossa inveja e malevolência, como é possível investigar ou descobrir a finalidade da vida? 

Afinal, senhores, para descobrir a verdade, ou Deus, preciso
primeiro compreender a minha existência, a vida em torno de mim e em mim, pois de outro modo, a busca da realidade se transforma em mera fuga da acção de cada dia; e como a maioria de nós não compreende a acção de cada dia, visto que para a maioria de nós a vida é servidão, dor, sofrimento, angústia, dizemos:`Pelo amor de Deus, dizei-nos como fugir disto´. É o que queremos, a maioria de nós: um narcótico, para não sentirmos as dores e as penas da vida. 
(Novo acesso à vida)


A verdadeira simplicidade da inteligência, isto é, o ajustamento
profundo ao movimento da vida, só advém quando, mediante o percebimento compreensivo e correcto esforço, começamos a desfazer as múltiplas camadas de resistência auto-protectora. Então, teremos a possibilidade de viver espontânea e inteligentemente. 

Entretanto, é unicamente através da dúvida, da crítica, que podeis
preencher-vos; e a finalidade da vida é o preenchimento, não o acumular, não a consecução. A vida é um processo de busca, não para um fim particular, mas para libertar a energia criadora, a inteligência criadora no homem; é um processo de movimento eterno, desimpedido de crenças, grupos de ideias, dogmas, conhecimento. 

O viver realmente exige abundância de amor, de sensibilidade ao

silêncio, grande simplicidade, experiência. Requer uma mente capaz de pensar com toda a clareza, não tolhida pelo preconceito ou pela superstição, pela esperança ou pelo medo. Tudo isso é a vida, e se não 
estais a ser educados para viver, a vossa educação é sem significação.
(A cultura e o problema humano)

Como a nuvem perseguida pelos ventos através do vale, é o homem. O homem não tem alvo, está cego para a finalidade da vida; e nele, e portanto no mundo, domina o caos e a desintegração. 

E qual é a finalidade da vida? É a liberdade da vida, a libertação da vida de todas as coisas, depois de havermos passado por todas as experiências. 

Desejo mostrar-vos que, para preencherdes a vida, como eu a preenchi, 
deveis acolher alegremente toda a experiência, quer agradável, quer desagradável. 
(A finalidade da vida)

Para o indivíduo auto-consciente, há sujeito e objecto. Mas a finalidade 
da existência, a plenitude do indivíduo, é realizar em si próprio, sem objecto ou sujeito, a Totalidade, que é a vida pura. Portanto, é na subjectividade do indivíduo que o objecto realmente existe. 

Nele reside o começo e o fim, a origem e a meta. Em criar uma ponte 
entre o começo e o fim consiste o preenchimento do homem. Enquanto não vos compreenderdes a vós mesmos, não penetrardes na vossa 
própria plenitude, podeis ser dominados, presos à roda da luta contínua. 
(Experiência e conduta)

Alcançar a Verdade é desdobrar a vida, é dar-lhe a mais ampla
possibilidade de expressão. Para mim, a única meta, o único mundo que é eterno, absoluto, é o mundo da verdade. 

O homem a quem essa visão se manifestou, tem sempre diante de si, ainda que empenhado nas lutas do mundo, esse alvo eterno. Embora ele 
peregrine por entre as coisas transitórias, ainda que se perca nas sombras, a sua vida será sempre guiada por esse alvo, que é a libertação de todos os desejos, experiências, tristezas, dores e lutas.

Na sombra do presente, está preso o homem. Cavar uma passagem,

através do presente, para o eterno, eis a finalidade do homem. Deve todo o ser humano entregar-se à tarefa de perfurar esse túnel, que representa o caminho directo para se alcançar a vida. 
 

E esse túnel, que é o único caminho que conduz ao preenchimento da vida, 
está dentro de vós mesmos. Nesse túnel não há regressar, porque lançais para trás o que removeis da vossa frente. Não podeis ir senão para diante, pois de contrário, cessará o progresso como tal. 
(A finalidade da vida)

O propósito último da existência individual é realizar o ser puro, em que não 
há separação, que é a realização do Todo. 
O preenchimento do destino do homem é ser a totalidade.
 A individualidade é apenas um fragmento da Totalidade. 

Mas a finalidade da existência, a plenitude do indivíduo, é realizar em si próprio, sem objectivo ou sujeito, a totalidade que é a vida pura. No indivíduo estão o começo e o fim. Nele reside a totalidade de toda a experiência, de todo o pensamento, de toda a emoção. Nele está toda a potencialidade, e a sua tarefa é realizar essa objectividade no subjectivo. 

Em criar uma ponte entre o começo e o fim consiste o preenchimento do homem. Na civilização actual, entretanto, a colectividade está-se a esforçar para dominar o indivíduo, sem respeitar o seu desenvolvimento, mas é o indivíduo que importa.
Então ele já não será dominado pela moralidade, pela estreiteza, pelas convenções e experiências de sociedades e grupos. (Experiência e conduta)

Fui procurar por mim mesmo o propósito da vida, e encontrei-o sem a autoridade de outrem. Penetrei nesse oceano de libertação e felicidade, onde não há limitação nem negação, porque ele é o preenchimento da vida. (Vida em liberdade)"


Jiddu Krishnamurti





















"Our business is to treat life as the grandfather treats his granddaughter, or the grandmother her grandson; to enter into the pretenses of childhood and the fictions of youth, even when we ourselves have long passed beyond them. It is probable that God himself looks kindly upon the illusions of the human race, so long as they are innocent. There is nothing evil but sin, that is, egotism and revolt. And as for error, man changes his errors frequently, but error of some sort is always with him. Travel as one may, one is always somewhere, and one's mind rests on some point of truth, as one's feet rest upon some point of the globe. 

Society alone represents a more or less complete unity. The individual must content himself with being a stone in the building, a wheel in the immense machine, a word in the poem. He is a part of the family, of the state, of humanity, of all the special fragments formed by human interests, beliefs, aspirations, and labors. 

The loftiest souls are those who are conscious of the universal symphony, and who give their full and willing collaboration to this vast and complicated concert which we call civilization.

In principle the mind is capable of suppressing all the limits which it discovers in itself, limits of language, nationality, religion, race, or epoch. But it must be admitted that the more the mind spiritualizes and generalizes itself, the less hold it has on other minds, which no longer understand it or know what to do with it. Influence belongs to men of action, and for purposes of action nothing is more useful than narrowness of thought combined with energy of will.

The forms of dreamland are gigantic, those of action are small and dwarfed. To the minds imprisoned in things, belong success, fame, profit; a great deal no doubt; but they know nothing of the pleasures of liberty or the joy of penetrating the infinite. 
However, I do not mean to put one class before another; for every man is happy according to his nature."


Henri Amiel
"Intime journal"












t.