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domingo, 19 de outubro de 2014

"When all is said and done..."








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 "When all 

 is said 

 and done..." 





   Por que temos   
   tanto medo   
   de estar   
 sem nada a fazer ? 
















É bastante óbvio que a maioria de nós está intelectualmente confusa.
Vemos que os chamados guias ou chefes, em todos os sectores da vida, não têm solução política para as nossas várias questões e problemas.
Os numerosos e antagónicos partidos políticos da direita ou da esquerda não parecem ter encontrado a solução correcta para as nossas dissenções nacionais e internacionais, e vemos também, socialmente, processar-se uma destruição completa dos valores morais.
Tudo em torno de nós parece desintegrar-se: os valores morais e éticos tornaram-se uma simples questão de tradição sem sentido.
A guerra, o conflito entre a direita e a esquerda, parece um factor constante e frequente nas nossas vidas; por toda a parte vê-se destruição, confusão.
Dentro de nós estamos completamente confusos, embora não gostemos de admiti-lo; vemos confusão em todas as coisas, e não sabemos ao certo o que devemos fazer.
A maioria de nós, reconhecendo esta confusão, esta incerteza, deseja fazer alguma coisa, e quanto mais confusos nos achamos, tanto mais ansiosamente desejamos agir.
Assim, para aqueles que já reconheceram que existe confusão neles próprios e em redor de si, a acção torna-se extremamente importante.
Mas se um homem está confuso, como pode agir?
Tudo o que ele faça, qualquer que seja o seu método de acção, há-de ser confuso, e essa acção criará, naturalmente, infalivelmente, maior confusão.
Seja qual for o partido, a instituição ou organização a que pertença, enquanto não afastar de si a confusão, tudo o que ele fizer  há-de, necessariamente, produzir um caos maior.
Que deve fazer então?
Que deve fazer um homem que sente sincero empenho, um desejo sincero de dissipar a confusão que há em si e ao redor de si?
Qual o seu primeiro dever: agir, ou dissipar a confusão dentro de si, e, portanto, fora de si?
Ora, nós tememos estar inactivos; e recolher-se por um período de tempo para estudar todo o problema, isso requer uma extraordinária inteligência.
Se vocês se recolhessem por algum tempo para considerar, reapreciar o problema, os seus amigos, os seus camaradas, os considerariam um "desertor".
Vocês se tornariam inexistentes, socialmente não estariam em parte alguma.
Se quando todos agitam bandeiras e você não o faz, se quando todos colocam um determinado boné e você não usa esse boné, você se sente esquecido; e como a maioria de nós não gosta de ficar no segundo plano, e assim nos atiramos à acção.
Assim, é muito importante compreender o problema da acção e da inacção.
Não é necessário ficar inactivo, para considerar o problema no seu todo?
É claro que precisamos de continuar a atender à nossa diária responsabilidade de ganhar a subsistência: todas as coisas necessárias têm de continuar.
Mas as organizações políticas, religiosas, sociais, os grupos, as comissões, etc. etc., há necessidade de pertencermos a elas?
Se temos muito empenho, não é necessário que reconsideremos, que tornemos a analisar todo o problema da existência?
E para tal, não é necessário, por ora, que nos afastemos, a fim de estudar, ponderar, meditar?
Esse afastamento não é, verdadeiramente, acção?
Nessa chamada inacção há a extraordinária acção de reconsiderar toda a matéria, de reapreciar, de meditar sobre a confusão em que vivemos.
Por que temos tanto medo de estarmos inactivos?
É inacção considerar novamente um problema?
Claro que não.
Sem dúvida, quem está evitando a acção é o homem que está activo, sem ter reconsiderado o problema.
Esse é  que é o verdadeiro "desertor".
Está confuso, e para escapar à sua confusão, à sua insuficiência, atira-se à acção, ingressa numa sociedade, num partido, numa organização.
Está, na realidade, fugindo ao problema fundamental, que é a confusão. Estamos, pois, empregando mal as palavras.
O homem que se atira à acção sem reconsiderar o problema, pensando que vai reformar o mundo com o simples ingressar numa sociedade ou partido, esse homem é que está a criar maior confusão e maiores desditas; enquanto o homem a que chamam inactivo porque se retira e estuda seriamente o problema, não há dúvida de que esse homem está muito mais activo.
Nos nossos tempos, principalmente, em que o mundo está à beira do precipício e acontecimentos catastróficos que estão a se verificar, não se torna necessário que uns poucos, pelo menos, fiquem inactivos, e, deliberadamente, não se deixem colher por esta máquina, esta máquina atómica da acção, que nada produz a não ser maior confusão, maior caos?
Certo, os que têm empenho hão-de retirar-se, não da vida, não das actividades diárias, mas retirar-se a fim de descobrir, estudar, explorar, investigar a causa da confusão; e para perceber , descobrir, explorar, não há necessidade de aderirmos aos numerosos planos e esquemas do que uma nova sociedade deveria ou não deveria ter.
Tais planos, evidentemente, são inúteis de todo; porque o homem que está confuso e só cuida de colocar em prática certos planos, ocasionará maior confusão.
Por conseguinte, como tenho dito e redito, o que mais importa, se desejamos compreender a causa da confusão, é o auto-conhecimento.
Sem compreendermos a nós mesmos, não pode haver ordem no mundo; sem explorarmos a fundo o processo do pensamento, do sentimento e da acção, em nós mesmos, nunca haverá possibilidade de paz mundial, de ordem e segurança.



   J. Krishnamurti    

"A ARTE DA LIBERTAÇÃO"



















































 TITO COLAÇO 
 XIX _X _ MMXIV 





 “A Verdade é uma terra sem caminho”
J. Krishnamurti




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