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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Advertere...









Advertere...









Aprender a ver, habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. 
Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam.
Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não “querer”, o poder diferir a decisão. 
Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo, tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos.
Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de “vício” é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir.
Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa “objectividade” moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence.






Friedrich Nietzsche
"Crepúsculo dos ídolos"
                                     
















































Wake with the Sun, wake with the morn
Wake with the coming day,
Be with the dew and the flush new born,
But, unlike them, stay!

Mists fall of from what thou art
They are what we see.
Come and enter into our heart
And let life be.

The morn belongs to the empty world
Men are later here.
Come and let life be slowly unfurled
Off thee like fear.

And in thy terrible being but thou
Sans body nor soul
Pour all thy balm on my saddened brow,
And make my hope whole!





Fernando Pessoa

































Tito Colaço

XXII _ I _ MMXV



















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